sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

resenha do filme "AMOR A TODA PROVA (crazy,stupid, love)"


            Minha primeira resenha do ano é deste filme que eu assisti na semana passada. Antes de começar, acho melhor dizer que meu texto terá altos spoilers, então se você não gosta de spoilers, saia daqui.
           Pois bem, comprei este filme em uma liquidação na Saraiva, mas os únicos contatos que eu tive com o filme antes foram de uma amiga me dizendo que Ryan Gosling mostra seu abdomen e meia hora do meio do filme em um período em que minha tv a cabo liberou o sinal do canal HBO por três dias. Como vi que ele estava em promoção e a sinopse do filme parecia ser interessante, resolvi comprar. Assisti junto com a familia, o que gerou alguns momentos constrangedores, mas tudo bem.
          A ideia do filme é bem simples: um cara é traído pela esposa e vai para um bar afogar as suas mágoas quando conhece um cara disposto a solucionar todos os seus problemas de auto-estima. Em paralelo, há uma garota que nutre uma paixão platônica pelo namorado advogado e sonha em ser pedida em casamento quando vai a esse mesmo bar e conhece o cara que resolve problemas de auto-estima. Ele a paquera (alguém ainda utiliza essa expressão "paquerar"? Pois eu utilizo) mas ela o rejeita. Os filhos do casal ficam com uma babá, uma adolescente de dezessete anos que secretamente tem uma paixão pelo patrão, o pai das crianças que ela cuida. O dito casal tem dois filhos que a babá cuida, sendo que o menino é apaixonado pela babá. No fim fica claro que o casal não tem apenas dois, mas três filhos, e que a filha mais velha do casal é a mesma jovem advogada que foi paquerada no bar, e que o novo namorado dela é o mesmo cara que deu conselhos sobre masculinidade e auto-estima ao seu pai.
          Acompanhou? Pois é, eu disse que era simples, fiz de propósito ao não dizer os nomes dos personagens e ficar mais complicado ainda (ou não, iria dar mais spoilers ainda).
       O filme trata de relacionamentos de maneira leve e divertida, com diferentes formas de pensar e agir de acordo com as experiências de cada personagem. Cada um lida com o amor de maneira diferente e o mais interessante é a forma como os personagens percebem seus erros e tentam corrigir, só que o giro se torna maior ainda, ou como eles se contradizem sem preceber e fazem loucuras achando que estão agindo de forma correta.
Exemplos:
01. Cal e Emily são um casal comum, que cairam na rotina depois de muitos anos juntos. Emily conta ao marido que quer o divórcio porque o traiu com um colega de trabalho. De início, Cal fica sem reação, depois desabafa com a babá assim que chega em casa e chora no trabalho no dia seguinte, até chegar à fase em que passará a maior parte de suas noites em um mar, caindo em depressão.

02. Hanna está em um bar conversando com sua amiga sobre seu namorado que não toma nenhuma atitude, mas que a enche de falsas esperanças e a deixa nas nuvens, até que o galã Jacob chega até a mesa delas e começa a elogiá-la, tentando chamar sua atenção, mas ela dá um fora nele e sai do bar às pressas. 

03. A babá dos filhos de Cal e Emily é secretamente apaixonada por Cal, mas ela é muito tímida para seguir com a ideia de revelar seus sentimentos a ele. Enquanto o filho do Cal cai de amores por ela, ele tenta de tudo para chamar a atenção da babá, sem saber que isso a afasta mais, mas veja bem, ela também é apaixonada por alguém mais velho e manda o menino parar com criancices e crescer. Ela tenta parecer adulta e faz em casa um ensaio de fotos nua e põe em um envelope para entregar a Cal, o que também é uma atitude infantil da parte dela.

04. No caso de Emily, ela cai por si e percebe que também tomou a atitude errada com relação ao seu marido e mesmo sem admitir que quer voltar, tenta conversar sempre com ele despretensiosamente, só porque sente a sua falta.

       Jacob Palmer se propõe a ajudar Cal a recuperar sua auto-estima, tentando conquistar o maior número possível de mulheres por noite. A principio, parece ser uma boa ideia, mas isso não ajuda Cal a esquecer sua esposa. Enquanto Jacob, sem perceber, se fecha para o amor por medo de se machucar, mas em determinada cena percebemos o quanto ele se sente solitário em sua casa enorme e sem mais ninguém além dele. Todo o luxo e as mulheres do bar não preenchem o vazio que faz a falta de um "amor verdadeiro". Hanna também percebe o quão boba ela tem sido com relação ao seu namorado e resolve sair da relação quando ela achava que ele a pediria em casamento ele só anunciou um contrato de trabalho a ela. Ela acaba bebendo todas para ter coragem suficiente para aparentar ser uma mulher diferente e chega até o mesmo bar em que ela encontrou Jacob, dá um beijo apaixonado nele e o convida para transar, sendo que, além de bêbada, ela demonstra estar totalmente despreparada. Ela até quer, mas não consegue. E ele não a trata mal, pelo contrário, prepara tudo e faz tudo o que ela pede (tirar a camisa, mostrar sua casa, incluindo uma cadeira de massagem e responder perguntas pessoais) bem enquanto estão na cama, prestes a transar. De tanto enrolar, ele acaba dormindo antes de conseguir. Ele a leva para a cama, mas eles apenas dormem, é uma cena hilária, que vale a pena ver. Depois desse dia, Cal se vê sozinho no bar. Seu companheiro Jacob não está mais lá, o que nos faz perguntar o que aconteceu com ele.
        Dias depois ele liga para Cal pedindo conselhos, pois agora iria conhecer os pais da garota que conquistou seu coração (pois é, leitores, o papel se inverteu!). Cal o parabeniza e o aconselha, e a garota que está com ele é... Hanna! até aí eu não fazia ideia de quem eram os pais da Hanna, que não haviam sido mostrados. Quando os pombinhos chegam, Cal está fazendo uma surpresa para reconquistar Emily quando Hanna entra de braços dados com Jacob e Cal a chama de filha, aí só vendo mesmo, outro ponto alto do filme.

       É um ótimo filme para se divertir e a regra é a mesma de sempre quando se trata de relacionamentos: cada relacionamento é diferente, cada ser humano é diferente, cada um de nós vê o amor de maneira diferente. A principal regra é que não há nenhuma regra específica. O que parecia certo para Jacob não se aplicava a Cal, por exemplo. No momento em que eu pensei que Hanna estava agindo errado, que qualquer outro homem a teria dispensado ali mesmo na cama, ou desapareceria no dia seguinte, ele parou para ouvir e dar toda a atenção que Hanna merecia, tendo inclusive que provar que merece a confiança do pai da garota, pois antes eles eram amigos, mas a coisa muda de figura quando seu melhor amigo namora a sua filha, não? Mas o amor é assim, nos faz perder a noção de bom senso, nos deixa cegos, burros, fazemos loucuras em nome do amor, mas no final do arco-íris parece valer a pena todo o caminho para chegar até lá, pelo menos é o que dizem, não?

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